Que há força interior nas vigas do telhado E que atravessarás o pântano penetrante e etéreo E que tens uma esteira E que tua casa não é lugar de ficar mas de ter de onde se ir".
Max Martins 1926 - 2009
O mundo das letras, se despede, na tarde de hoje (10), de um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos, o poeta Max Martins. Max morreu no final da tarde de ontem, aos 82 anos. O legado poético que fica, eternizado por versos de finas estampas, é o de um gênio da palavra que fez da poesia um ato de resistência.
A Academia dos Poetas Paraenses pretende reunir em cacho os grandes poetas paraenses. O objetivo é divulgar suas obras na qual possamos beber das gemas filosóficas de cada um e compreender a genialidade poética de todos.
As publicações de cada autor ocorrerão mensalmente. Aqui serão mostrados poetas da antiga e nova geração como por exemplo: Max Martins, Age de Carvalho, Adalcinda Camarão, Benedicto Monteiro, Rui Barata, Antônio Tavernard, Bruno de Meneses, JJ Paes Loureiro, Emir Bemerguy, Olga Savary, Carlos Correia Santos, José Ildone, Antônio Juraci Siqueira, Salomão Larêdo, Vicente Cecim, Eneida de Moraes, Inglês de Souza, Rodrigues Pinagé, Júlio César Ribeiro de Sousa - era tido como o príncipe dos poetas paraenses,Francisco Paulo Mendes, Cauby Cruz, José Paulo Paes, Paulo Plínio Abreu, Roberto Carvalho de Faro, Hilmo Moreira, Camilo Delduque, Alfredo Garcia, Alberto Cohen, Alonso Rocha - príncipe dos poetas paraenses, Ronaldo Franco, José Maria de Vilar Ferreira, José Maria Leal Paes, Jorge Andrade, Vicente Salles, Marcos Quinan, Jorge Campos, e tantos outros.
Na estréia da Academia nada mais justo do que iniciar as postagens mostrando os poemas de Max Martins.
"A minha poesia tem uma relação muito veemente com a vida. É poesia-vida, vidapoesia". Max Martins.
Max Martins nasceu em Santa Maria de Belém do Grão Pará em 1926. A partir de 1934, fez estudos nas áreas de Poesia, Artes, Literatura e Filosofia, nunca abandonando a formação autodidata.
Os primeiras textos de Max foram publicadas por Haroldo Maranhão em um jornal escolar denominado “O Colegial”. Foi a partir desse jornal de alunos, que floresceu uma amizade entre Max, Haroldo e Benedito Nunes que dura mais de 50 anos. No período de 1945 a 1951, eles participaram juntos do suplemento literário “Folha do Norte”, de grande importância na época.
Ao lado de Benedito Nunes, Francisco Paulo Mendes, Rui Barata, Mário Faustino, Paulo Plínio de Abreu, Haroldo Maranhão, viu chegar a modernidade na poesia brasileira, da qual se tornou um dos poetas mais expressivos. Sua obra está traduzida para o alemão, inglês e francês.
Hoje, aos 82 anos, Max é o maior poeta paraense em atividade. Sua poesia é trangressão, é ruptura, é um fora na mesmice, é espelho para os novos poetas.
Livros publicados: O Estranho,1952; Anti-Retrato, 1960 — ambos de poesia. Tanto o primeiro como o segundo livro receberam respectivamente os prêmios da Academia Paraense de Letras e Secretaria de Educação do Estado do Pará; H'Era, 1971; O Ovo Filosófico, 1976; O Risco Subscrito, 1980; A Fala entre Parênteses, 1982 — em parceria com o poeta Age de Carvalho; Caminho de Marahu, 1983; 60/35, 1985; Não para Consolar — Poesia Completa — Prémio Olavo Bilac da ABL, dividido com o poeta António Carlos Osório, 1992; Para Ter Onde Ir, 1992; Colmando a Lacuna — Poemas Reunidos, 1952-2001.
Max Martins é dos mais instigantes, vale ouvir, vale a leitura, vale a reflexão.
A CABANA
É preciso dizer-lhe que tua casa é segura Que há força interior nas vigas do telhado E que atravessarás o pântano penetrante e etéreo E que tens uma esteira E que tua casa não é lugar de ficar mas de ter de onde se ir.
O CALDEIRÃO
Aos sessenta anos-sonhos de tua vida (portas que se abrem e fecham fecham e abrem carcomidas)
Ferve
a gordura e as unhas das palavras seu licor umbroso, teus remorsos-pêlos Ferve e entorna o caldo, quebra o caldeirão e enterra teu faisão de jade do futuro teu mavioso osso do passado
Agora que a madeira e o fogo de novo se combinam e o inimigo n. 1 já não te enxerga
ou vai embora varre tua esperança tíbia
o tigre da Coréia da parede
É lícito tomar agora a concubina E despentear na cama a lua escura, o ideograma
A FERA
Das cavernas do sono das palavras, dentre os lábios confortáveis de um poema lido e já sabido voltas para ela - para a terra maleável e amante. Dela de novo te aproximas e de novo a enlaças firme sobre o lago do diálogo, moldas novo destino Firme penetra e cresce a aproximação conjunta E ocupa um centro: A morte, a fera da vida te lambendo
MARAHU: Primeira Relação
2 formigas - operárias ápteras ou novatas, não de fogo mas noturnas, doces 1 grilo (depois aprisionado pela aranha, morto ao amanhecer) O canto dum galo e outro galo A saracura. A tarde 2 gaviões molhados encolhidos no pau da árvore pensos Garças sobre as pedras negras da praia Os urubus o boto morto um cão medroso, sapos sapos sapos 1 goteira sapos chuva o sol vindo do mato às 7 da manhã A noite a escuridão o vento as velas de Lao-tsé Thoreau e o meu cajado de bambu rachado o chão folhas úmidas
AMARGO
Há um mar, o dos velames, das praias ardendo em ouro.
Há outro mar, o mar noturno, o das marés com a lua a boiar no fundo o mênstruo da madrugada.
E afinal o outro, o do amor amargo, meu mar particular, o mais profundo, com recifes sangrando, um mar sedento e apunhalado.
RASGAS A FRIA NOITE COMO UM DARDO
Rasgas a fria noite como um dardo em fogo e logo a flâmula como um pêndulo desce sobre o peito donde nasce um sol obscuro e virgem. Através dos ramos levo-me – levas-me – puro e simples para os ventos mesmo que triste, inconsútil e leve. Mas, como se de pedra fosse o ilimitado de coral ou ilha o gesto falha inútil e impetuosamente caímos sobre o limo deflorados e neutros para o dia.
A Academia dos Poetas Paraenses recebeu da querida poetisa, Adriana Costa, do Blog Versos Bárbaros, o selo "Prêmio Dardos":
O Prêmio Dardos reconhece o valor que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que em suma demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras, entre as suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à web.A APP agradece.
Benny Franklin
Livro de poesia beat está no prelo.Benny Franklin - Poeta vencedor em poesia do 1º e do 2º Prêmio AP de Literatura 2006 e 2009 - acerta os derradeiros detalhes para o lançamento, em Belém e São Paulo, de seu primeiro Livro de Poesias. Novembro e Dezembro de 2012, data acertada.
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